LP Snegs, O som nosso de cada dia, 1974

A primeira banda de “rock genuinamente progressivo” do país, a  Som nosso de cada dia, nasceu em 1971, no lado direito da curva que fica no km12 da rodovia  Raposo Tavares, segundo depoimento de Pedro Baldanza em entrevista ao jornal paulista Coletivo Só, em maio de 2008.

Tendo conhecimento que o multi-instrumentista Manito estava montando uma nova banda, Pedro se dirigiu ao Jardim Bonfiglioli para encontrar com o músico que admirava há muito tempo.

Chegando ao local, encontrou com Pedrinho batera e passou a mostrar algumas de suas composições.  “Manito chegou e ficou parado na porta ouvindo a gente tocar. Pedrinho tava curtindo, brincando com as músicas, querendo saber de onde tinha vindo aquela onda(…) Quando o Manito entrou eu até arrepie, bicho. O  Manito para mim era um cara de sucesso, o artista mais próximo de que eu tava chegando. (…)O Manito era um cara que eu tinha a maior admiração”, narra Baldanza na mesma entrevista. 

Manito, naquele ano, tinha em mente criar o Bloco da Cabala, um grupo de baile mas, diante do que ouviu, começou a trabalhar em cima das músicas apresentadas por Pedro Baldanza e o Bloco da Cabala deu lugar ao Som Nosso de cada dia.

Sobre o rótulo de ser a primeira banda de rock progressivo surgida no Brasil, Baldanza afirma na mesma entrevista que na época em que o grupo nasceu “não existia essa conotação em relação ao rock; isso é coisa de subcultura, de enquadramento. (…) O SNCD é brasileiro, cheio de progressão, aí vieram com essa história de progressivo”.

Os ensaios começaram com equipamentos adquiridos por Manito com o dinheiro recebido na saída de Os Incríveis: amplificadores encomendados por ele junto à Snake, um órgão Hammond com uma Lelie, um Fender Rhodes…

Patrocinados por um fazendeiro de Bauru entusiasta da nova banda, outros   equipamentos completaram o arsenal do Som Nosso de cada dia: Dois Moogs, Minimoog, duas Leslies, Honher Clavinet, e dois Harpschord(…)

O primeiro álbum levou dois anos para ser lançado e, em 1974, o disco Snegs chega até os fãs da banda, gravado quase todo ele ao vivo,  em dois dias.

Segundo o depoimento de Pedro Baldanza,  “A joia mal lapidada contou apenas com alguns overdubs: violões e solos de Manito (violino ,sax, Minimoog) , vozes e coros, estes executados com a ajuda da Marcinha”. (…)

“Entretanto ,o disco traz uma excelente sonoridade: totalmente calcada nas bases de Hammond C3 conectados a um par de caixas Leslie e frases melódicas e Minimoog, entrecortadas por uma cozinha que abusa de convenções e compassos ternários e compostos, como se nota na introdução de ‘O Som Nosso de Cada Dia’. Não há faixa que se destaque. A audição dessa obra deve ser feita na íntegra. Todas as peças foram compostas e executadas com  musicalidade,  marca de músicos do calibre de Pedrinho, Manito e Pedrão. Letras belíssimas de autorias de Paulinho Mastrote Machado, poeta que usava o pseudônimo de Capitão Fuguete, contribuem com a mítica dos ritmos”.

O álbum Snegs, da banda Som nosso de cada dia, é composto por 8 músicas:

  1. Sinal de Paranoia, de Cimara e Pedro Baldanza;
  2. Bicho do mato, de Gastão Lamounier Neto ;
  3. O som nosso de cada dia, de Paulinho e Pedro Baldanza
  4. Snegs de Biufrais, de Paulinho e Pedro Baldanza
  5. Massavilha,  de Paulinho e Pedro Baldanza
  6. Direccion de Aquarius, de Paulinho e Pedro Baldanza
  7. A outra face, de Pedro Baldanza e Pedrinho
  8. O Guarani, de Carlos Gomes. (faixa bônus)

 

Ouça nos canais Nicolás Guzmán e Banda Os Incríveis Oficial, do Youtube,  as 8 faixas do álbum Snegs gravado por Manito, Pedro Baldanza, e Pedrinho Batera para a gravadora Continental, em 1974:

Ficha técnica:

Manito: órgão sintetizador, violino, piano, flauta, sax e coro

Pedrinho: vocal e bateria

Pedrão: baixo, viola e vocal

Marcinha: Coro

 

Direção de produção: Peninha Schmidt

Coordenação de produção: Julio Nagib

 

Pesquisa e texto: Selma Teixeira

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