História: Banda Os Incríveis

Imagem: Acervo  gravadora RCA Victor/Sony Music

Na estrada desde 1962, a banda  Os Incríveis iniciou sua carreira com o nome The Clevers tendo, em sua formação original, os músicos Manito (Antonio Rosas Sanches, saxofone); Mingo (Domingos Orlando, guitarra base e vocal); Neno (Demerval Teixeira Rodrigues, guitarra baixo e vocal, substituído, em 1966, por Lídio Benvenuti Jr., o Nenê); Netinho (Luiz Franco Thomaz, bateria) e Risonho (Waldemar Mozena), guitarra solo. 

Vindos de atuações em  fanfarras de escolas, em conjuntos familiares,  em grupos de bailes e orquestras, os músicos que integraram a primeira formação da banda  The Clevers/Os Incríveis iniciaram sua carreira profissional  tocando muito Twist e Hully Gully, os ritmos da juventude da época.  

Em agosto de 1963, um ano após sua criação, a banda gravou, para o selo Continental,  seu primeiro disco: um 78RPM que reuniu as músicas Afrika, de Charles Segal, Anton de Waal, Sam Lorraine) e El Relicario, de Padilla

Tocado em ritmo de twist, o pasodoble El Relicario dominou as paradas de sucesso de todo o país motivando a gravadora a lançar, no mesmo semestre, mais três 78RPMs e dois LPs com a banda: Encontro com The Clevers Twist, e The Clevers, Os Incríveis.

Lançado em dezembro de 1963, o segundo LP trazia, na capa, a expressão Os Incríveis como o adjetivo mais adequado para definir o sucesso sem precedentes de uma banda com tão pouco tempo de carreira. 

Algum tempo depois, o adjetivo se tornaria substantivo transformando-se no novo nome do grupo. 

No primeiro semestre de 1964, a banda gravou três EPs e dois 78RPMs lançados pela gravadora Continental e passou a apresentar, na TV Record, de São Paulo, o primeiro dos quatro programas de televisão comandados  pelos músicos do grupo: o The Clevers show. 

No mês de junho do mesmo ano, a banda The Clevers foi escolhida pelo maestro italiano Stelvio Cipriani para acompanhar a cantora italiana Rita Pavone na  turnê brasileira que ela realizaria nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Diante do sucesso da temporada, a banda foi convidada por Teddy Reno, o empresário da cantora, para seguir com ela para a Itália para apresentações em cerca de 30 cidades italianas. 

Antes de embarcarem, os músicos da banda The Clevers deixaram gravados dois singles e músicas inéditas que integrariam o repertório de dois LPs que a  Continental lançou durante a permanência da banda na Itália. 

Terminada a temporada italiana, a banda voltou ao Brasil para gravar mais um single na gravadora Continental e seguiu para Buenos Aires para se apresentar na televisão e em casas de espetáculos da Argentina em uma temporada que durou oito meses. 

No início de 1965, a banda The Clevers, após uma desavença com o empresário Antonio Aguillar, passa a se apresentar com o nome Os Incríveis. 

No primeiro semestre do memo ano, a banda  teve dois álbuns lançados: um pela CBS argentina intitulado Los Increíbles e divulgado em toda a América Latina, e o outro pela  Continental.  

Seguiram-se a esses dois álbuns um EP, e um single. 

Em junho de 1965, a banda Os Incríveis grava o LP de capa pink, o último que contaria com a participação do baixista Neno. O álbum trazia, no repertório, a primeira versão de um dos maiores sucessos da banda: O milionário, de Mike Maxfield

Dois meses depois estreia, na TV Record, de São Paulo, o programa Jovem Guarda que contou com  a banda Os Incríveis como convidada especial. 

Em abril de 1966, a banda  Os Incríveis lança, pela Continental, mais um LP, o de capa amarela que trazia a foto da nova formação da banda que passava a contar com o baixista Nenê.  

No mesmo semestre, a banda foi contratada pela TV Excelsior, de São Paulo, onde passou a apresentar o seu segundo programa de televisão: Os Incríveis, que tinha um elenco fixo de artistas formado pelos cantores Teddy Lee, Tony Angeli, Os Vips, Os Caçulas, Os diferentes, Vanusa, Eduardo Araújo e Silvinha, além de contar com a participação de atores e atrizes das novelas da emissora. Dividido em quadros, o programa registrava momentos em que os músicos demonstravam toda a sua versatilidade musical, indo da apresentação de paródias de óperas, a interpretações de chorinhos e músicas regionais, além de exibições  de instrumentos inusitados tocados pelo multi-instrumentista Manito. 

Em junho de 1966, os músicos de Os Incríveis são contratados pelo navio Princesa Leopoldina para apresentações a serem feitas na boate do navio que levava torcedores brasileiros para assistir a Copa do Mundo a ser realizada na Inglaterra. 

Com a eliminação do Brasil na primeira fase, o empresário do grupo, Brancato Jr., em parceria com a equipe do cineasta Primo Carbonari, que estava a bordo, organizou a produção do primeiro filme protagonizado pela banda: Os Incríveis neste mundo louco realizado  a bordo do navio Princesa Leopoldina, em cinco países da Europa,  e no Brasil. 

Aproveitando a estada na Inglaterra, a banda visitou os estúdios da gravadora Decca onde gravou um single com a versão para o inglês da música Mamãe passou açúcar em mim, de Carlos Imperial, no lado A, e, no lado B, um blues. 

De volta ao Brasil, os músicos da banda atuaram como artistas principais da fotonovela Milagre da Juventude publicada pela revista paulista Melodias, retomaram a agenda de shows por todo o país, e as apresentações do programa semanal da TV Excelsior. 

No ano seguinte, em junho de 1967, a banda lança, em circuito nacional de cinemas, o filme Os Incríveis neste mundo louco, e também o álbum de mesmo nome, com a trilha sonora do filme. 

No mesmo ano, os músicos de Os Incríveis mudam de gravadora tornando-se o carro chefe de vendas da RCA Victor. Na nova casa a banda gravou os sucessos:  Era um garoto que como eu amava Os Beatles e os Rolling Stones, versão de Os Incríveis para C’era um ragazzoche come me amava I Beatles e I Rolling Stones, de Migliacci e Lusini (1967, selo RCA Victor); Israel, versão de Nazareno de Brito para a música homônima de Zambrini, Cini e Migliacci (1968, selo RCA Victor); Mundo louco, versão de George Freedman para Even the bad times are good, de M. Murray e P. Callander (1968, selo RCA Victor); Kokorono-niji, versão de Os Incríveis para a música homônima de J. Hashimoto e T. Inoue (1968, selo RCA Victor); Sayonara, Sayonara, de Mike Maki e Hichidai Makamura (1968, selo RCA Victor); Perdi você, instrumental de Carlos Mendes e José Alberto Diogo (1968, selo RCA Victor); a regravação de O milionário, de Mike Maxfield (1968, selo RCA Victor); O Vendedor de bananas, música de Jorge BenJor feita especialmente para Os Incríveis (1969, selo RCA Victor); O Vagabundo, versão de George Freedman para Giramondo, de Leva-Bardotti-Reverberi-Scommegna (1969, selo RCA Victor); Se o meu fusca falasse, de Dom, (1970, selo RCA Victor); Belinda, versão de Ravel e Mingo para Pretty Belinda, de Chris Andrews (1970, selo RCA Victor); Eu te amo meu Brasil, de Dom (1970, selo RCA Victor); Sem vergonheira, de Antonio Carlos e Jocafi (1971, selo RCA Victor);  e as releituras de Molambo, de Jayme Florence e Augusto Mesquita (1967, selo RCA Victor), Pirulito, de João de Barro e Alberto Ribeiro (1968, selo RCA Victor), Castigo, de Dolores Duran (1968, selo RCA Victor), Na baixa do sapateiro, de Ary Barroso (1971, selo RCA Victor), entre muitos outros. 

Em 1967, Os Incríveis passam a apresentar seu programa semanal na TV Tupi, canal 4. Líder de audiência nacional, o programa foi interrompido para a excursão da banda ao Japão onde os músicos se apresentaram em programas de televisão e fizeram shows em boates nas cidades de  Tóquio, Hasahikawa, Otaru e Saporo. 

De volta ao Brasil, Os Incríveis retomaram o programa na TV Tupi e, como contratados da emissora, participaram de um capítulo da novela Os rebeldes escrita por Geraldo Vietri e Walter Negrão, e produzida  pela televisão paulista. 

Ainda em 1967, a banda gravou três músicas em japonês: Kokorono-nijiI love you Tokio e Sayonara, Sayonara que se tornaram sucesso nacional e levaram a banda a ser  reconhecida, até os dias atuais, como uma das mais queridas pela comunidade japonesa brasileira. 

Em 1971, contando com a participação do guitarrista Aroldo no lugar de Risonho, Os Incríveis comandam, na TV Record, o último programa semanal de televisão apresentado pela banda, intitulado Podes crer, amizade

No ano seguinte, os músicos de Os Incríveis resolveram dar uma parada na trajetória da banda, e seguiram caminhos diferentes.  

Manito, ao lado de Pedro Baldanza e Pedrinho Batera, criou o grupo de rock progressivo O som nosso de cada dia. 

Netinho se aliou a Aroldo, Piska, Cargê e Pique Riverte e montou a banda Casa das Máquinas. 

Mingo, Nenê e Risonho, por sua vez, adotaram o nome Os Incríveis Mingo, Nenê e Risonho e gravaram, acompanhados de músicos de estúdio e também da Orquestra e Coro RCA Victor,  três LPs, oito  singles  e dois EPs para a gravadora RCA Victor. Nessa fase, os maiores sucessos da banda foram as músicas Isso é a felicidade, do compositor argentino  Palito Ortega, e o hit  Marcas do que se foi, composição de Ruy Maurity e José Jorge, ligados ao grupo publicitário Zurana.  

Em outubro de 1981, a banda volta a ter sua formação de maior sucesso, grava o álbum Os Incríveis, participa, no final do ano, de um show organizado pela Prefeitura de Santos,  e filma seu segundo longa metragem: Conflito em San Diego, um “western feijoada” que conta a história de duas famílias do sul dos Estados Unidos que vivem em um período posterior à libertação dos escravos, assinada por Abraão Lincoln. 

Nos anos seguintes, o grupo passou por diferentes formações e, após algumas paradas, voltou a se apresentar nos palcos brasileiros e a gravar novos álbuns, seguindo sua carreira até os dias atuais. 

Marco fundamental para todas as bandas de rock do país que se seguiram a Os Incríveis, a banda sempre aliou arranjos elaborados e a  escolha de um  repertório que reuniu o melhor da  música brasileira e internacional, ao  cuidado com a inovação de instrumentos e equipamentos de som e de luz de última geração – foi com Os Incríveis que os palcos brasileiros conheceram o som das guitarras Gibson, Fender e Grech,  da bateria Ludwig,   e do órgão Farfisa, e também os efeitos dos spots de luz psicodélica, ou luz rítmica.  

De inigualável qualidade artística e técnica, Os Incríveis contam com uma discografia composta de 217 álbuns que vão das primeiras gravações ainda em 78RPM, passam pelos singles e EPs, LPs e CDs, pela participação em diversas coletâneas e álbuns de outros artistas, e pelos  discos solos gravados por ex-integrantes e integrantes atuais da banda. 

Reconhecida nacional e internacionalmente como uma referência na história da música pop brasileira, a banda Os Incríveis recebeu inúmeros prêmios desde o início da carreira, em 1962, até o momento. Dentre eles podemos citar: Troféu Chico Viola, em 1963 e 1966; Troféu Roquette Pinto como o Melhor Grupo do anos 1967, 1968, 1969, 1970 e 1971; Os Melhores do Ano no Rio de Janeiro em 1966, 1967 (duas vezes), 1968 (duas vezes); Os Melhores do Disco em 1967 e 1968; Disco de Ouro – RCA em 1967 e 1968; Prêmio Governador do Estado de São Paulo em 1968; Os melhores do ano programa do Chacrinha em 1967 e 1968; Representantes da música brasileira no Japão, 2005; e Votos de Congratulações e Aplausos pela passagem de seus 60 anos de formação outorgado, em 2024,  pelo Vereador Mauro Ignácio, da Câmara Municipal de Curitiba. 

Além de ter recebido todos os prêmios de todas as emissoras de  televisão,  rádio brasileiras, e instituições públicas, o sucesso da banda  Os Incríveis também foi  homenageado com dois programas especiais produzidos  pela TV Tupi, em 1970, e pela TV Cultura, em 1972

Em 2022, ano em que a banda completou 60 anos de trajetória artística, foi lançado o projeto 60 anos banda Os Incríveis idealizado pela pesquisadora cultural Selma Teixeira que também responde pelas pesquisas iconográfica, documental, discográfica, e fílmica; pela redação e revisão de textos; e pela administração do projeto que tem ainda Erlon Ricardo Bernardino como  responsável pelas edições de vídeos, e Eduardo R. de Paula responsável pela área de  webdesigner. 

Registrado nos órgãos federais responsáveis pela gestão e fiscalização de direitos autorais, o projeto 60 anos Banda Os Incríveis  conta com a assessoria do Escritório do Dr. Alcion Bubniak. Propriedade Intelecutal Marcas e Patentes, para assuntos ligados a  Direitos Autorais

Reunindo mais de vinte ações, o projeto 60 anos Banda Os Incríveis criou e mantém três páginas da banda nas redes sociais, e um canal do Youtube, acessíveis nos links (https://www.facebook.com/groups/osincriveis60e70 (grupo 60 anos Banda Os Incríveis, no Facebook);  https://www.facebook.com/profile.php?id=100088039484500 (página Banda Os Incríveis Oficial, no Facebook); https://www.instagram.com/bandaosincriveisoficial/ (página Banda Os Incríveis Oficial, no Instagram); https://www.youtube.com/@bandaosincriveis-oficial4967)(canal Banda Os Incríveis Oficial, no Youtube);  além do presente site.  

Atualmente, a banda é formada por Netinho, bateria; Sandro Haick, guitarra e vocal; Leandro Weingaertner, baixo e vocal,  e Rubinho Ribeiro, guitarra e vocal. 

Selma Teixeira 

Pesquisadora cultural, idealizadora e administradora do projeto 60 anos da banda Os Incríveis.