Na mídia: Fotonovela – Milagre da Juventude

Nas décadas de 60 e 70, o mercado de revistas especializadas em artistas, música popular, e programações de televisão do Brasil obtinha sucesso com a publicação de fotonovelas que encantavam o público feminino do país.

Classificada pela socióloga Angeluccia Bernardes Habert  como uma “literatura sentimental fabricada para milhões”, a fotonovela garantia a venda de revistas para uma legião de admiradoras do formato fotos associadas a textos curtos que contavam uma história que seguia um modelo pré-formatado.

Originariamente,  as fotonovelas eram publicadas em revistas que reuniam temas como moda, culinária e beleza mas, aos poucos, as revistas dedicadas a reportagens e informações  sobre artistas de rádio e televisão descobriram esse filão, e iniciaram a publicação de fotonovelas estreladas por cantores e músicos que estavam no auge do sucesso.

Foi assim com as revistas CaprichoIlusãoNoturnoContigoe também com a revista Melodias que, em agosto de 1966, publicou a fotonovela Milagre da Juventude estrelada por ManitoMingoNenêNetinho Risonho (Os Incríveis), por Guilherme Fantini (Padre Marcelo), pela cantora Cidinha Santos (Beatriz), e por  Francisco José da Cunha e  Irene Lemos da Cunha (pais de Beatriz).

Com enredo do novelista e compositor  Fred Jorge, produção de Armando A.Lopes, direção de Pedro Alberto Bello, fotografia de Nicanor L. Martinez, iluminação de Fausto Le Pera, e legendas de Paulo Ribeiro, a fotonovela  estrelada pelos músicos da banda Os Incríveis contava a história de uma jovem chamada Beatriz que, traumatizada por um acidente que sofrera, acreditava ter ficado paralítica. 

A jovem, atendida por um padre que também era psicólogo, era fã do grupo Os Incríveis, grande sensação do mundo artístico.  Tentando ajudar Beatriz, o padre procura os músicos ao término de um  de seus programas de televisão para pedir se eles poderiam ir até a casa da jovem e tentar fazê-la voltar a andar.

Os músicos aceitam o convite e vão até a residência de Beatriz que tem uma reação inesperada ao ficar muito constrangida por ser vista, pelos seus ídolos, imobilizada em uma cadeira.

O padre pede desculpas pela reação de Beatriz e os músicos vão embora, deixando os instrumentos que haviam levado para tocar para a moça.

No dia seguinte, Netinho volta para buscar os equipamentos, e Beatriz se desculpa pela reação do dia anterior. O baterista então resolve tentar fazê-la andar ao som ritmado de sua bateria e, aos poucos, consegue fazer com que a jovem se levante e tente alguns passos.

Feliz com o sucesso de sua tentativa, Beatriz pede para Netinho levar novamente os amigos do grupo para tocarem em uma festa que ela dará para comemorar.

Os demais músicos do grupo voltam e começam a tocar. Beatriz tenta alguns passos, mas cai. Incentivada pelos músicos de Os Incríveis ela levanta e acaba dançando ao som do grupo de quem era fã. 

Entusiasmados, os músicos fazem dela a “favorita do conjunto. O nosso símbolo, a força da juventude e do amor…”.

Leia, a seguir, as páginas da fotonovela Milagre da Juventude estrelada pela banda  Os Incríveis. (Revista Melodias.  Prelúdio:  agosto de 1966, p. 54-67. Ano XIV, nº 108.)